sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Piloto destaque: Marcio André Lichtnow

Nasci em Videira-SC, mas morava em Monte Carlo-SC, cidade que até hoje não esta no mapa.
Já nesta época me faltavam às asas e como brincadeira pulava de uma encosta onde uma grande madeireira jogava serragem, dava pra voar uns 4m e se enterrar na serragem vestindo uma capa de super homem (nacional kid na época), divertidíssimo.
Márcio e seu filho Kauan, analisando a condição.

Aos 8 anos mudamos para Curitiba, e logo conheci o skate, como custava uma fortuna então olhamos , examinamos e fizemos os nossos a base de madeira, rolamento e pedaços de pneus, funcionou bem, depois ganhei um de verdade , fiquei no skate até meus 12 ou 13 anos , ai veio a bicicleta , altas aventuras peguei gosto por trilhas, então veio a moto e com maior liberdade para viajar conheci o surf , fiquei amarradão todo final de semana ia para praia, com sol, chuva, frio, calor,com onda, sem onda... estava lá eu na água por horas a fio.
Esporte apaixonante, que quando posso pratico até hoje.
O surf me ensinou a respeitar a natureza, a respeitar a minha natureza, a me sentir parte do planeta. Momentos em que você se vê sozinho em meio a grandes ondulações, faz com que você se sinta realmente vivo.
Porém todos os dias lá pelas 11:00h o vento vindo do mar tornava o mar repicado e as ondas desapareciam ou ficavam com uma formação ruim, sempre pensei.....tem que ter alguma coisa pra fazer com esse vento, é muita energia, e foi então que vendo um programa de televisão, apareceu um esquiador sendo rebocado por 4 pipas em forma de asa delta, o que me deu uma grande idéia fazer um paraquedas para me tracionar com a prancha ( há se eu tivesse patenteado a idéia)!!!

Marcio no seu Targa 3 em Tibagi-PR

Olhei, estudei e parti para ação. Comprei tecido de nylon, linhas de nylon, tesoura, giz, réguas etc..., só esqueci um detalhe, eu não sabia costurar. Tive algumas aulas com a bisavó dos meus filhos, que me emprestou a maquina de costura, daquelas movidas a pedal, e dei inicio ao projeto me dedicando algumas horas do dia ao corte e costura;
Certo dia com o mar completamente flat , saímos de Pontal do Sul e passamos em todas as praias procurando ondas, quando chegamos em Caioba, tive uma visão impressionante dois parapentes voando no Morro do Boi. Caraca!!! Galera vamos subir o morro e ver de perto, era o Guilherme Zipin e o Max com quem fiz o curso alguns meses depois, lógico que abandonei meu projeto do paraquedas de nylon e parti com tudo para o parapente, voei muito na praia , era perfeito : surf das 8:00 as 11:00 e vôo o resto do dia, até que conheci uma térmica, ai tudo mudou.
Cara que sensação era aquela, subir 2.500mts e entrar em uma nuvem, poder escalar uma nuvem , pousar em locais desconhecidos, navegar por entre nuvens com visuais altamente privilegiados, poder sentir e compreender como funciona a natureza, sentir a força de uma grande termal, respirar o ar seco e gelado das grandes altitudes.
O surf foi ficando pra traz, meus valores mudaram, o que eu sentia no surf sozinho em meio a grandes ondulações, agora estava multiplicado por mil, na realidade a sensação não é de liberdade e sim de poder, dominar aquela maquina silenciosa em meio a forças invisíveis da natureza que se pudessem ser vistas, seriam montanhas com 12.000mts de altura , vales com milhares de metros de profundidade, e todos movendo-se constantemente, é grandioso, nestes momentos me sinto pequeno em relação a natureza mas gigante por fazer parte dela.
O que eu queria era voar sempre por muito tempo e o mais longe que eu pudesse, ai vieram as viagens e campeonatos, foram muitos.
Comecei a dar instrução como forma de sustentar as viagens, mas logo percebi que o buraco é mais embaixo, dar instrução requer dedicação, conhecimento, paciência, didática, atualização, compromisso e muita responsabilidade, mas foi onde melhor me identifiquei, e resolvi encarar com muita seriedade a profissão de instrutor de vôo, o que me afastou das competições e vôos de cross country, mas é impressionante como consegui quase que substituir a alegria de um ótimo vôo pela satisfação de ver o sorriso no rosto de um aluno depois do seu primeiro vôo, poder proporcionar às pessoas a realização de um sonho é muito gratificante. Encontrei a Nicolle que me abriu os olhos para o profissionalismo da escola e há 3 anos estamos juntos planejando e montando uma escola para um ensino de alta qualidade , transformar o preá em gavião rsrsrsrs.
A vontade de voar não diminuiu não e que venham os campeonatos ( ai Ronnie protege a espinha heheheheh).

Marcio e Nicole fazendo um voo duplo.

O vôo livre nos traz muitas emoções, mas com certeza a maior delas foi bater meu record de distancia de 120 km junto com meu filho Kauan, pousamos juntos.
Quantos pais podem ter este privilégio?
Dividir este momento especial com uma pessoa especial, meu filho a quem agradeço a parceria, o companheirismo e a cumplicidade.
Acho que é isso galera, 32 troféus, muitas histórias para contar, muito aprendizado, evolução e amadurecimento. A cada vôo, a cada aluno que entra na escola, em cada rampa, aprendo um pouco mais sobre o vôo e sobre a vida. São muitas as lições.
É uma satisfação participar do blog deste amigo e talentoso piloto que é o Ronnie, com certeza o seu futuro é na elite do parapente e esta garantido, e a todos os leitores não pilotos não esqueçam, ESCOLA DE VOO LIVRE VENTO NORTE, entre nessa turma aventureira pela porta certa.

Abraços
Marcio André Lichtnow
Piloto desde 1996.
Marcio e Kauan voando juntos.

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